Mês: junho 2016

Jovens e autodestrutivos

Ídolos que tiveram mortes precoces em razão de suas condutas

Alguns artistas nem sequer viveram com equilíbrio em meio à fama. E não estou falando da recente moda de se internar em casas de reabilitação de luxo. Na história de Hollywood existem vários exemplos de ídolos que, por razões típicas de comportamento, tiveram mortes precoces antes dos 50 anos. Lembrei-me dessas condutas autodestrutivas por causa da menção que se faz em torno dos 30 anos da morte de Elvis Presley. Foi em 16 de agosto de 1977 que o rei do rock morreu aos 42 anos de idade, vítima de colapso cardíaco. Logo ficou constatado que ele havia se tornado dependente de remédios e anfetaminas. O curioso é que me pareceu extremamente saudável quando o entrevistei em 1956, durante as filmagens de seu primeiro longa, Ama-me com Ternura. Já era um ídolo com os seus sensuais requebros, mas nunca me esqueci de seu ar melancólico quando manifestou pouco crédito sobre a duração de seu sucesso e disse: “Tudo o que é repentino morre depressa”.

img066Marilyn Monroe foi outro mito que partiu cedo. Foi também em um dia de agosto, em 1962. Oficialmente, um suicídio por ingestão de remédios e barbitúricos, embora tenha circulado rumores de uma morte encomendada, por causa de seu envolvimento amoroso com o presidente John Kennedy e o irmão dele, o também político Robert. O desequilíbrio da brejeira atriz já era conhecido de todos. Poucos dias antes de seu falecimento, ela havia sido despedida pela Fox, por causa de seus constantes atrasos e ausências no filme que fazia.

Judy Garland também morreu de overdose de remédios e drogas, alguns dias depois de completar 47 anos. Estava ao lado de seu quinto e jovem marido. Seu histórico era bem complicado desde o início da carreira na infância. Mãe de Liza Minnelli, sua vida foi coerente ao título brasileiro de seu derradeiro filme: Na Glória, a Amargura. Ela não teve habilidade existencial para conviver com as exigências do sucesso.

Mas um dos processos de autodestruição que mais me impressionaram foi o de Pier Angeli. A hoje esquecida atriz italiana importada por Hollywood, e de quem fui cicerone em sua viagem ao Brasil com Debbie Reynolds, foi impedida por sua mãe dominadora de casar-se com James Dean, que também a amava. Em 1954, casou-se com o cantor e ator Vic Damone. Mas a tristeza já era patente e acentuou-se a partir da morte de Dean em 1955. O divórcio veio em dezembro de 1958. Em 1962, uniu-se ao compositor italiano Armando Trovajoli. Durou até 1969, ele não suportou suas frequentes crises de depressão que culminaram com o suicídio em 1971, aos 39 anos de idade. Triste fim para uma garota talentosa e amável.

Texto originalmente publicado na Revista Set, na coluna Hollywood Boulevard. Agosto, 2007 – Ed. 242  – Ano 20 – N.º 8. Editora Peixes.

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Os homens de Liza

A estrela de Cabaret só foi feliz ao lado do Oscar

Liza MinnelliEm 1973, quando recebeu o Oscar de melhor atriz por Cabaret, Liza Minnelli declarou emocionada: “Pelo menos sei que este homem nunca me trairá com uma mulher ou com um homem”. As sarcásticas palavras de Liza são bastante realista se analisarmos sua vida. Filha da estrelíssima Judy Garland com seu marido gay Vincent Minnelli, mesmo antes de saber andar travou conhecimento com as câmeras, ao estrear no papel do bebê de Judy Garland e Van Johnson no filme de 1949 A Noiva Desconhecida. Desde então, jamais se desligou do show business.

Nascida em plena Hollywood em 12 de março de 1946, ela foi a mais jovem atriz premiada com o Tony pela peça musical Flora, the Red Menace. Mas não teve a mesma sorte no cinema que consagrara sua mãe. De 1967 até 1972, fez filmes inexpressivos e, mesmo depois de Cabaret e do Oscar, brilhou apenas em New York, New York, com Robert De Niro (1977) e em Arthur, o Milionário Sedutor, com Dudley Moore (1981). Graças a sua incrível versatilidade e carisma, conquistou um imenso público cantando e dançando em fabulosos números musicais. No entanto, conseguiu estabilidade na vida amorosa. Quando esteve pela primeira vez no Brasil, em 1979, estava acompanhada pelo seu jovem empresário Mark Gero, que pretendia se casar com ela, mas não conseguiu. Talvez por ser heterossexual. Paradoxo? Não, porque a verdade é que a sofisticada filha de Judy Garland sempre teve preferência por homens gays. A começar por seu pai e continuando com os maridos Jack Haley Jr., Peter Allen e David Gest. Esse último proporcionou a Liza o casamento do novo milênio, que custou quase 3 milhões de dólares. De nada adiantou toda a pompa: a festejada união durou menos de dois anos e está terminando na maior baixaria. Refugiado no Havaí, Gest está processando a esposa em 10 milhões de dólares, alegando que a tremenda surra dada pela mulher o deixou incapacitado de trabalhar. Por seu lado, Liza exige 2 milhões de indenização por humilhações pessoais. O divórcio promete ainda muita lavagem de roupa suja. Ou, quem sabe, a retomada da carreira de Liza Minnelli.

Texto originalmente publicado na Revista Set, na coluna Hollywood Boulevard. Março, 2004 – Ed. 201 – Ano 17 – N.º 3. Editora Peixes.

Beleza não se põe na mesa

De visual “largado”, os astros de hoje se despem de beleza e apostam em talento para alcançar o sucesso

Na última entrega do Oscar, o primeiro apresentador foi Tom Cruise com a barba por fazer e usando um terno comum. Em outros tempos, a própria Academia teria exigido uma aparência mais condizente com o luxuoso espetáculo e com o status do famoso astro. Convém lembrar que, na cerimônia de 1964, Sidney Poitier foi de casaca receber seu Oscar de melhor ator de 1963. A diferença é que na ocasião ainda imperava o star system. Embora malhado pelos críticos metidos a intelectuais, os grandes estúdios exigiam que seus contratados fizessem jus ao estrelato conquistado através dos filmes. E, principalmente, não desapontassem sua legião de fãs. Também era muitíssimo respeitada a opinião da imprensa. Lembro-me bem de quando fui entrevistar Tyrone Power no seu camarim na Columbia no qual ele descansava durante a filmagem de Melodia Imortal. Ao me ver entrando, o astro colocou o paletó para me receber. Atitude de um perfeito gentleman. Outro que me impressionou pelo cavalheirismo e elegância foi John Travolta. Em outubro de 1981, quando veio ao Brasil lançar o filme de Brian de Palma Um Tiro na Noite, ele me recebeu para um almoço no hotel Sheraton do Rio e, depois, batemos um longo papo em sua suíte. Sempre de terno e gravata, o astro parecia bem à vontade – um perfeito anfitrião. É curioso, mas Tyrone e John Travolta foram os homens mais bonitos que conheci, ambos “made in Hollywood”.

Tyrone Power e Dulce Damasceno de BritoAtualmente, o procedimento dos astros mudou de figura. Free lancers já não têm de prestar contas aos chefes de grandes estúdios e só têm contato com a imprensa para a divulgação de seus filmes. Nessa fase de independência muitos não se conformam em ser apenas galãs e se tornaram diretores premiados como Kevin Costner (Dança com Lobos, Oscar de 1990), Mel Gibson (Coração Valente, Oscar de 1995) e Antonio Banderas (Loucos do Alabama, ótimo trabalho ignorado pela Academia). Nenhum destes contava com a experiência de veteranos do gênero como Robert Redford e Clint Eastwood, mas sua intenção era provar que, simplesmente, possuíam talento para cineastas, além da boa aparência de galã. Porque nem na sofisticada Hollywood beleza não se põe na mesa, como diz a velha expressão popular. Se bastasse isso, já teriam consagrados belíssimos atores como Lorenzo Lamas e Rob Lowe, que tentaram o cinema e acabaram em séries de televisão. Diante do que se conclui, nem está mais na moda dizer: “Você é tão bonito que devia estar no cinema!”

Texto originalmente publicado na Revista Set, na coluna Hollywood Boulevard. Maio, 2002 – Ed. 179 – Ano 15 – N.º 5. Editora Peixes.