Joan Crawford

Joan Crawford

Em 1953, a primeira vez que entrevistei Joan Crawford, ela me pareceu simpática, embora falsa. Quando o publicista, ao nos apresentar, perguntou “Você já conhece a Dulce?”, ela respondeu: “Claro que sim. Como vai?  Você parece tão bem! (You look so well).” Só que Joan nunca tinha me visto. E vice-versa. Tivemos uma conversa amável, ela posou com o seu cachorrinho de estimação, Cliquot, que dizia ser um legítimo poodle francês. Mas me impressionou o fato de a atriz ainda usar enchimentos nos ombros. O publicista explicou que, já em 1935, Joan pediu ao costureiro Adrian, na Metro, roupas que disfarçassem seus ombros largos e ossudos. E assim foi feito, o que acabou virando moda e depois, deixando de ser. Menos para ela. Encontrei Joan várias vezes. Sempre educada, posou com o meu amigo Raul Smandek, cônsul do Brasil em Los Angeles. Mas percebi que ela era uma mulher extremamente dura. E, assim como outros colegas de imprensa, acabei antipatizando com a estrela depois de um banquete da revista Photoplay, quando Marilyn Monroe, eleita por nós, correspondentes estrangeiros, como a estrela mais querida de nossos leitores, brilhou mais que todos. Joan convocou jornalistas para reclamar da vulgaridade de Marilyn. A imprensa, em sua maioria, tomou a defesa da loira lembrando que a já veterana estrela tinha um passado pouco recomendável em termos de moral e bons costumes. De qualquer forma, é inegável que ela foi uma grande atriz, como mostram filmes da importância de Alma em suplício / Mildred Pierce, 45 (que lhe deu um Oscar), Johnny Guitar, 54 e Almas mortas / Autumn leaves, 56. Mas Joan não merecia o livro Mamãezinha querida, que uma de suas filhas adotivas, Christina, escreveu em seguida à morte de Joan, em 1977. O retrato que fez dela é cruel. Christina, que ganhou muito dinheiro com a publicação, alguns anos depois do lançamento e da estreia do filme dele adaptado, teve um derrame que a deixou com graves sequelas. Praga da mamãe? Nos últimos anos de sua vida, Joan veio ao Brasil promover a bebida Pepsi-Cola: o quarto e derradeiro marido havia sido um dos dirigentes da empresa (embora ela não tenha herdado quase nada dele).

Texto originalmente publicado no livro Lembranças de Hollywood, pág. 103. São Paulo, 2006. Org. Alfredo Sternheim. Imprensa Oficial.

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